Regata Escola Naval

A história da Regata Escola Naval
Em 8 de setembro de 1946, surge a "Regata Escola Naval", com o nome "Taça Escola Naval", que se tornaria a maior e uma das mais importantes e tradicionais competições do iatismo brasileiro e da América Latina, sendo exigência à sua participação apenas o cruzamento da linha de partida. Na presença do Almirante Jorge Dodsworth Martins, então Ministro da Marinha, do Almirante Braz Vellozo, Diretor da Escola Naval e do Contra Almirante Lovett, Chefe da Missão Militar Naval Norte Americana, além de outras autoridades da época, teve início a regata às 14 horas com a presença de mais de 70 embarcações e vento sul fraco.

A Confederação Brasileira de Vela e Motor retrata a primeira Regata Escola Naval como: "gentil retribuição aos convites e boa camaradagem dos Clubes da Federação de Vela e Motor, um grande sucesso de concorrência e bom desporto".

As primeiras "Regatas Escola Naval" alcançam mais de uma centena de barcos. A 7ª edição ultrapassa a expectativa da organização do evento com a presença de 126 embarcações, um número de participações recorde. O iatista Anchises Lopes, uma das maiores autoridades da Classe Star na América do Sul, frisa na ocasião: "espetáculos como da Regata Escola Naval pela sua grandiosidade somente poderiam ser presenciados na Inglaterra e nos Estados Unidos". Nas primeiras regatas concorrem apenas monotipos, inclusive os clássicos 6 metros R.I.

A criação de estaleiros e velerias contribuíram para a expansão da classe oceano que incorpora os grandes barcos, absorvendo os iates de quilha e cabinados. O "boom" do iatismo da Escola Naval acontece com o surgimento das classes Laser, Optimist e os catamarans, a importação de embarcações esportivas com isenção de impostos favorecida pelo Estado e a aquisição do Veleiro "Cisne Branco", nome dado ao Ondine IV, embarcação incorporada a flotilha da Marinha do Brasil para viagens de instrução de guardas-marinha a partir de 1981. As doações de embarcações também contribuem para incentivar a prática do iatismo, como a do "Procelária", nome dos barcos da família do Dr. José Candido Pimentel Duarte e batizada de "Grazina" pela Escola Naval.

Na década de 90, o esporte, uma força viva da população cada vez mais presente na sociedade brasileira, adquire uma maior abrangência social (esporte-educação, esporte-performance e esporte-participação). Todos os segmentos da sociedade têm a obrigação de desenvolvê-lo (variedade de instituições e locais) colocando-o ao dispor da população em geral. Uma nova configuração esportiva apresenta-se através do aumento dos investimentos das empresas em projetos sócio-culturais (esportivos) nos últimos 30 anos, mesmo que ainda longe do ideal, se comparado com os EUA e a Europa; da ampliação do envolvimento da mídia com o esporte com a apresentação de um maior número e de novos esportes na tela, do aumento das transmissões esportivas ao vivo diária e do número de horas de sua inserção, principalmente na tela e da utilização de novos recursos tecnológicos. O esporte mostra-se um excelente produto a vender outro produto, crescendo a sua comercialização, em especial na mídia televisiva.

Nesse sentido, a "Regata", um grande evento sócio-cultural aberto à participação de todos, exigia grandes esforços do Grêmio de Vela e da Escola Naval face aos altos custos necessários a sua realização. A "Regata Escola Naval" atinge recordes de número de barcos. Em 1995, estiveram presentes 817 barcos na 50ª edição - meio século de regata e em 1999, o recorde do evento com 852 barcos, de classes e participantes. Dentre as dezenas de classes (mais de setenta classes em 1999, participando com pelo menos três barcos no momento da largada) encontram-se os antigos Guanabaras e Cariocas aos modernos 49ers, os pequenos Optimists e as grandes máquinas da Classe Oceano. A participação de campeões olímpicos e dos principais veleiros oceânicos do país reforça a importância assumida pelo evento esportivo. A dimensão incontestável de grande espetáculo apoia-se ainda no crescimento da assistência e de investimentos das empresas públicas e privadas na última década do século XX.

A abrangência da "Regata" alcança ainda, uma ampla programação esportiva envolvendo a "Regata a Remo" na Lagoa Rodrigo de Freitas, a "Regata de Windsurf" na Lagoa de Marapendi ,a "Meia Maratona de Canoagem e a "Regata Ecológica".
Lars Grael explica a importância da "Regata" por ocasião da sua 54ª edição (1999). Participante do evento desde 1980, Lars considera que a comemoração se sobrepõe a competição ao afirmar: "É claro que vencê-la tem um sabor especial, mas o legal é que é uma festa muito bonita onde participam desde os grandes profissionais até o marinheiro de primeira viagem" (Jornal do Brasil. 11.10.1999).


 

 

 
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